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Foto: Thomas SAMSON / AFP

Amazon doará mais de US$ 2,65 milhões para produtoras da América Latina por Covid-19.

A Amazon anunciou nesta terça-feira (26) que destinará mais de 2,65 milhões de dólares para apoiar a recuperação das produtoras de televisão, cinema e teatro no México e outros países latino-americanos para aliviar a crise econômica derivada da Covid-19.

A gigante do comércio eletrônico e streaming dos Estados Unidos, que apresentou suas novas séries originais, informou que trabalha "em estreita colaboração com organizações que estão comprometidas em apoiar a comunidade e grupos de profissionais do audiovisual" para canalizar apoio.

As doações serão concluídas no primeiro semestre deste ano “e irão para os países onde a empresa está desenvolvendo conteúdo local e original”, disse Jennifer Salke, diretora do Amazon Studios.

Salke explicou que outra das ações da empresa desde 2020, quando começou a pandemia, foi fechar acordos com os estúdios para levar os lançamentos originalmente planejados para a televisão.

"Desde o início da pandemia da Covid-19, temos sido capazes de lançar conteúdo global original e produções locais. A situação está mutável e haverá obstáculos. Sabemos que o conteúdo do Prime Video continuará a ser muito forte", disse Salke.

Entre os títulos anunciados para este ano, destacam-se a produção de mais duas temporadas de "LOL: Last one Laughing", estrelada pelo ator mexicano Eugenio Derbez, e uma segunda temporada de "Pan y circo", de Diego Luna.

A seu serviço, Amazon Prime Video acrescentará "Maradona: Sueño Bendito", sobre a vida do falecido craque do futebol argentino, e a primeira série de documentários esportivos dedicada ao time mexicano Chivas de Guadalajara.

A plataforma Amazon Prime Video está presente em mais de 200 países e tem mais de 150 milhões de usuários em todo o mundo.

Por: AFP / Por: Diário de Pernambuco

Foto: Kevin Lamarque/Reuters

Biden recoloca EUA no Acordo de Paris: como isso afeta o Brasil

Em um dos primeiros atos como presidente dos Estados Unidos, Joe Biden assinou um ato pelo qual a maior economia do mundo volta a aderir ao Acordo de Paris, pelo qual os países se comprometem com metas de redução de emissões de carbono na atmosfera, para conter o aquecimento global.

Essa mudança de curso em relação às políticas de Donald Trump tem impacto em todo o mundo, inclusive – ou principalmente – no Brasil. Para lideranças empresariais ouvidas pela CNN, as novas políticas ambientais dos EUA e outras diferenças da nova administração tendem a abrir oportunidades para setores como o etanol e a soja brasileiros, além de reforçar tendências em prol da diversidade e do desenvolvimento sustentável.

"Assim como a pandemia, as mudanças climáticas exigem respostas construídas por meio da colaboração global. É uma tendência que se acelerou no último ano e que levou muitas empresas a se comprometerem com metas de zero emissão líquida (de carbono) em suas atividades até 2050, em linha com o Acordo de Paris que volta a ter a adesão dos EUA", diz Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CBDES).

"Com o reforço dos Estados Unidos nessa agenda, torna-se ainda mais importante que o Brasil dê sinais no mesmo sentido, como o compromisso com metas de redução do desmatamento ilegal e a implementação de um mercado de carbono efetivo e que contemple o potencial do país", reforça a executiva.

Para Evandro Gussi, diretor-presidente da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), a volta dos EUA ao Acordo de Paris e aos compromissos com a redução de emissões pode fortalecer o setor de biocombustíveis, beneficiando tanto a produção de lá como a de cá. "O etanol americano e o brasileiro têm um papel muito relevante na redução das emissões dos veículos", diz o dirigente.

Guerra comercial e fortalecimento da OMC

Embora Biden tenda a fazer cobranças públicas pela preservação da Amazônia, a exemplo de outros líderes europeus, o presidente dos EUA não deve repetir ações como as do francês Emmanuel Macron, que recentemente defendeu a autossuficiência europeia em soja como forma de evitar o desmatamento da floresta tropical para produção da oleaginosa – a crítica foi rebatida por produtores brasileiros, que desde 2008 adotam bem-sucedidas medidas de rastreamento e controle para que nenhuma soja exportada tenha sido plantada em áreas desmatadas após aquele ano.

"Biden deve questionar o desmatamento dentro da postura de redução de emissões, mas não terá a intenção de prejudicar injustamente os produtores como fez Macron", afirma o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), André Nassar. 

Para o dirigente, um fator que pode ser chave e benéfico ao Brasil é se Biden distensionar as relações comerciais dos EUA com a China e recuperar o papel que a Organização Mundial do Comércio (OMC), enfraquecida durante a gestão Trump. 

"O Brasil vai precisar de uma OMC fortalecida caso a Europa imponha barreiras às commodities relacionadas às questões de emissões de carbono e rastreabilidade, como já estão discutindo. São medidas que ferem as normativas da organização e das quais a Europa é signatária, mas só poderemos questionar esses pontos se Biden retomar o funcionamento do órgão que arbitra controvérsias como essa, e que ficou sem indicação de árbitros por decisão de Trump, para não prejudicá-lo na 'guerra comercial' com a China", explica Nassar.

Por: CNN

Foto: Chip Somodevilla/Getty Images/AFP

Biden inicia guinada contra legado populista que Trump disseminou

Em novembro, 81,2 milhões de americanos votaram na chapa democrata, que representa o avesso do que foi o governo Donald Trump. Biden e Kamala receberam o maior número de votos da história americana. Durante quatro anos, o republicano explorou as divisões da sociedade como plataforma política. Os democratas terão dificuldade para romper essa polarização.

Trump atacou as instituições, inflamou a população e rompeu relações com aliados. Biden, uma saída de centro costurada dentro de seu partido, promete valorizar as instituições democráticas – ainda sob influência do ataque inédito ao Capitólio – e a dialogar com opositores.

O democrata promete privilegiar a ciência para resolver questões de saúde ou de clima e buscar saídas multilaterais no palco global. “Biden é alguém que acredita no sistema de governo americano. Por isso, escolheu para o governo pessoas com história no setor público e não indicações políticas que tentam desmantelar os órgãos para os quais trabalham. Vamos entrar em um período de estabilidade”, afirma Michael Traugott, cientista político e professor da Universidade de Michigan.

Aos 78 anos, presidente mais velho a tomar posse e ciente de que não representa a figura que inspira o eleitorado jovem, ele assume também com a promessa de ser um presidente de transição, de um mandato só. O futuro seria representado por Kamala Harris.

Assim que assumir o cargo, o democrata planeja assinar uma série de ordens executivas que confirmam sua ambição de promover uma guinada no país ao desfazer ações de Trump. O novo governo deve derrubar o veto imigratório de países de maioria muçulmana, começar a recolocar o país no Acordo Climático de Paris e tornar obrigatório o uso de máscara em prédios federais e viagens interestaduais – todas decisões contrárias às impostas por Trump.

“Trump não acredita no papel do governo e por isso os EUA sofreram na pandemia com a falta de organização e ação do governo federal. Biden tem uma visão completamente diferente sobre o papel do governo e vamos perceber isso quando discutirmos, por exemplo, distribuição das vacinas”, afirma Traugott.

Ainda nos primeiros dias, Biden planeja enviar ao Congresso o pacote de socorro de US$ 1,9 trilhão (cerca de R$ 10,8 trilhões) para alívio da economia e um projeto de reforma imigratória que garanta direitos aos que chegaram ao país ilegalmente.

Trump chegou à presidência como o mais impopular eleito à Casa Branca. Na semana anterior ao fim de seu mandato, ele praticamente não apareceu em público e foi banido das redes sociais, por onde governou. Deixa o poder com seu pior índice de popularidade, 34%, segundo o instituto Gallup, ficando entre os quatro piores da história desde Harry Truman (1945-1953).  Ainda assim, ele sai após obter 74 milhões de votos na eleição de novembro, com uma base fiel e um julgamento de impeachment pendente no Senado. Um processo que poderia torná-lo inelegível.

Por: Beatriz Bulla, correspondente, O Estado de S.Paulo

Foto: MANDEL NGAN / AFP

The Economist: Joe Biden mudará marcha na América Latina

Presidente dos EUA vai encontrar uma região em que o populismo floresceu recentemente com mais força

Em 2013, depois que o WikiLeaks revelou que a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos grampeou o telefone de Dilma Rousseff, então presidente do Brasil, Joe Biden ligou para se desculpar. Um anos depois, o vice-presidente americano foi ao Brasil assistir a uma partida da Copa do Mundo com um presente: documentos secretos tornados públicos que evidenciavam abusos da ditadura militar brasileira (1964-85). A própria Rousseff foi torturada.

Rousseff qualificou Biden como “um vice-presidente sedutor”. Outros líderes latino-americanos não pensavam o mesmo. Otto Pérez Molina, ex-presidente da Guatemala, lamenta o dia em que se curvou à pressão de Biden para prolongar a vida da Comissão Internacional contra a Impunidade na Guatemala (Cicig), uma agência de combate à corrupção apoiada pela ONU. Pérez Molina expressou esse lamento em 2015, dentro de uma prisão militar, onde aguardava julgamento por acusações de corrupção. A Cicig forneceu as provas.

Uma vez que Biden assumir o posto mais alto, não seria uma surpresa se seu interesse na América Latina minguasse, dadas as outras demandas que pesam sobre ele. A única anedota memorável a respeito da região no novo livro de memórias de Barack Obama é sua confissão de que apenas “sorria e assentia com a cabeça” durante um longo jantar, em 2011, pensando a respeito da guerra na Líbia enquanto o presidente do Chile discorria a respeito de exportações de vinho.

Ainda assim, Biden provavelmente dará atenção à América Latina. Ele era o homem de Obama para a região, que visitou 16 vezes. Emergências regionais, da migração em massa à cada vez mais fechada ditadura na Venezuela, exigirão sua consideração. Ele não tem o estilo intimidador de Donald Trump. Promoverá o estado de direito e esforços para combater as mudanças climáticas, preocupações que Trump ignorava categoricamente. Este ano, Biden deverá ser o anfitrião da trienal Cúpula das Américas.

A América Latina mudou desde quando ele foi vice-presidente. Um fraco crescimento econômico minou a autoconfiança da região. A pandemia matou 541 mil pessoas na América Latina e no Caribe, um número de mortes superado apenas pelo da Europa, e causou a pior crise econômica em mais de um século. Os corruptos estão vencendo a guerra contra a corrupção. Descontentamentos a respeito de contratos sociais violados ocasionaram instabilidade e a eleição de presidentes populistas. Os venezuelanos estão fugindo de seu país, o que coloca pressão sobre os vizinhos. O êxodo da América Central, pausado pela pandemia, foi retomado.

A democracia está em retrocesso. A Bertelsmann Foundation, que organiza uma escala de 10 pontos relativa à força da democracia nos países, revela que as pontuações de sete democracias da América Latina caíram 0,8 ponto ou mais desde 2010. Recentemente, o Congresso do Peru impediu o segundo presidente em 30 meses. Nayib Bukele, presidente de El Salvador, lançou as bases para uma ditadura. As eleições de 2021, a serem realizadas em países como Equador, Peru e Nicarágua, podem levar populistas ao poder ou consolidar governos autoritários.

Quando Trump assumiu a presidência, em 2017, os governos da América Latina sofreram com um “medo de chamar a atenção”, afirma um ex-conselheiro da administração. Mas muitos passaram a gostar de Trump, em grande parte porque ele os deixava em paz, a não ser que permitissem a passagem de imigrantes para os EUA. O interesse dele em promover a democracia não ia além dos limites da “tríade da tirania” — Cuba, Nicarágua e Venezuela. Jair Bolsonaro, do Brasil, e Andrés Manuel López Obrador, do México, populistas de direita e de esquerda, respectivamente, sentiram uma afinidade por ele (Bolsonaro é um fã desavergonhado). Ambos esperaram um mês para reconhecer que Biden o havia derrotado.

O mundo de Biden considera equivocada uma visão que restringe a promoção da democracia a três países. Compartilha do consenso pré-Trump segundo o qual a estabilidade na vizinhança depende do estado de direito, de uma sociedade civil forte e de um capitalismo mais justo.  Buscará maneiras de controlar a imigração mais humanas do que obrigar países a bloquear a passagem de imigrantes pelo seu território.

Biden quer retomar a possibilidade de pedidos de asilo nos EUA. Atualmente, o governo Trump força aqueles que chegam à fronteira a ficar no México. Biden deverá desfazer os pactos de Trump com os três países do Triângulo Norte da América Central — Guatemala, Honduras e El Salvador — segundo os quais os EUA podem enviar imigrantes de volta a esses países. Esse processo será vagaroso. Um objetivo mais nobre é tornar o Triângulo Norte um lugar melhor para viver. Juan Gonzalez, que integrará o Conselho de Segurança Nacional, foi voluntário do Corpo de Paz nas montanhas da Guatemala, origem de muitos imigrantes. Biden pretende gastar US$ 1 bilhão ao ano para melhorar as condições da América Central.

Ele terá de usar o porrete e a cenoura. A corrupção está cada vez pior no Triângulo Norte. Parlamentares guatemaltecos enxotaram a Cicig; legisladores fecharam a homóloga Missão Contra a Corrupção e a Impunidade em Honduras (Maccih). Trump não se manifestou. Este mês, promotores americanos apontaram o presidente hondurenho, Juan Orlando Hernández, como participante de um esquema de tráfico de drogas (ele nega). O caso evidencia as limitações relativas ao gasto com segurança e estímulos econômicos quando o estado de direito é fraco, afirmou Eric Olson, do centro de estudos estratégicos Wilson Centre.

Biden vai retomar a luta por melhor governança. Embaixadores americanos farão pressão sobre governos para nomear juízes e funcionários honestos. O governo Biden deverá propor o estabelecimento de uma agência anticorrupção que dê conta de toda a América Central, que apoiaria promotores e procuradores-gerais, mas que seja menos invasiva do que a Cicig e a Maccih. Uma lição da bem-sucedida política de intimidação de Trump a respeito da migração é que os EUA têm grande poder de barganha na região.

A abordagem de Biden em relação à tríade da tirania será menos punitiva, dando aos países menos desculpas para o desgoverno. Como Trump, ele considera o venezuelano Nicolás Maduro um tirano. Mas ele tende a ser menos ameaçador, trabalhar mais com outros poderes e buscar maneiras de aliviar a crise humanitária.

Antony Blinken, o indicado de Biden para secretário de Estado, ajudou a normalizar as relações com Cuba quando foi conselheiro de Obama. Biden vai renovar essa política cautelosamente, aliviando restrições relativas a remessas de dinheiro e turismo. A decisão do governo Trump desta semana de recolocar Cuba na lista dos países que patrocinam o terrorismo, juntamente com Irã, Síria e Coreia do Norte, eleva os custos políticos da reaproximação. Obama retirou Cuba dessa lista em 2015.

As mudanças climáticas serão uma nova fonte de rancor. López Obrador, que defende o monopólio estatal sobre o petróleo no México e rejeitou projetos americanos de energia renovável, enfrentará a pressão verde de Washington. Assim como Bolsonaro, que permitiu a aceleração da destruição da Floresta Amazônica. Biden pretende criar um fundo de US$ 20 bilhões para proteger a Amazônia, mas o Brasil, que interpreta iniciativas do tipo como afrontas à sua soberania, até agora tem rejeitado a ideia. As relações entre Biden e Bolsonaro, que louva o regime que torturou Rousseff, deverão ser difíceis.

Para Bolsonaro e alguns outros líderes da região, a mudança de rumo em Washington deve causar um solavanco. Alguns dirão que os EUA não estão em posição, hoje em dia, de repreender outros países. Mas, afirma um conselheiro de Biden, o fracasso dos ataques contra a democracia americana demonstram o valor de instituições fortes. Se os EUA são capazes de superar esse ataques, também poderão ser capazes de ajudar seus vizinhos a fazer o mesmo. / TRADUÇÃO AUGUSTO CALIL

Por: The Economist, O Estado de S.Paulo