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Livro de linguista francesa decifra dialeto particular de Trump

'A Língua de Trump' é uma análise detalhada das falas do político, mostrando como sua sintaxe truncada, seu vocabulário raso e sua repetição de palavras foram características fundamentais para sua retórica

Quando Donald Trump irrompeu no cenário político internacional, jornalistas incumbidos de traduzir seus discursos, ou melhor, suas “falas”, necessitaram de um período de adaptação pois o presidente, assumindo o papel de ser “antissistema”, rompeu com os todos os padrões da linguagem pública e, com sua eleição, os Estados Unidos e o restante do mundo sofreram uma forte mutação no universo moral da comunicação. Talvez os jornalistas que mais sofreram neste período foram os tradutores, que tiveram que arrancar muitos cabelos: tanto na escala da frase quanto na do discurso, os elementos que compõem a linguagem trumpiana apareciam incompletos e desprovidos de sentido. Para quem escutava ou traduzia, a impressão era de estar frente a um emissor que lançava palavras para todos os lados, sem nenhum fio condutor. Foi esta experiência difícil que levou Bérengère Viennot, linguista francesa e tradutora de textos jornalísticos, a realizar uma sondagem ampla, baseada na centena de discursos, entrevistas, mas sobretudo em cerca de 700 tuítes de Trump, para escrever A Língua de Trump, uma análise detalhada das falas presidenciais.

Bérengère teve a paciência de não desistir da empreitada à primeira irritação, apontando características facilmente reconhecíveis: sintaxe truncada, vocabulário muito raso e, acima de tudo, repetição infinita das mesmas palavras. “O Twitter é algo maravilhoso para mim, porque consigo transmitir a mensagem… talvez eu não estivesse aqui conversando com você como presidente se eu não tivesse uma maneira honesta de comunicar a minha mensagem”, confessou Trump em março de 2017. Daí que a análise estatística das tuitadas diárias de Trump é tarefa quase infindável. Ele explorou (e ainda explora) como ninguém o aplicativo, já que, segundo dados confiáveis, alcança cerca de 100 milhões de seguidores: é a mídia do momento, com sua brevidade forçada, fragmentada e descontextualizada, capaz de expressar instantaneamente sentimentos crus, sem nuance ou subtexto, e sua capacidade de borrar, até mesmo extinguir, a fronteira entre sentimento e fato. No entanto, Trump recentemente teve seu perfil suspenso em diversas redes sociais.

Presciente, Charb (o cartunista morto em 2015, no ataque terrorista ao Charlie Hebdo) alertava que o uso excessivo de emojis e códigos não verbais era um choque sensório que acabaria transformando nossos cérebros em aquários de peixinhos. Os emojis, e códigos de pontuação de Trump fundamentam um léxico muito raso: “aspas” = cinismo; “???” = descrença; “tudo escrito em maiúsculas” = raiva – e por aí afora. Quanto às categorias de palavras, o espectro de uso é paupérrimo, limitando-se a expletivos delirantes, como “Wow!”, “sad!”, “great”. Já nas categorias dos chamados “vocábulos de arrependimentos”, tais como “lamento” ou “peço desculpas” – nada a estranhar: zero ocorrências.

“Olhem a cara dela. Quem é que votaria a favor disso? Dá para imaginar um negócio desses, sendo a cara do nosso próximo presidente?” tuitou Trump a respeito de Carly Fiorina, a mulher com a qual ele disputou na convenção republicana a indicação presidencial. Outras dezenas de tuites com frases sexistas e misóginas referentes às mulheres são impublicáveis. O vocabulário que Trump escolhe utilizar é de uma brutalidade fora do comum. E não se trata apenas da representação semântica de uma intenção belicosa, como quando ele ameaçou a Coreia do Norte com «fogo e fúria». Em sua linguagem cotidiana mais banal, empregada todos os dias, Bérengère demonstra que ele dá uma surra na língua inglesa. Para começar, repete vezes sem conta as mesmas palavras vazias para designar realidades que sabemos ser cheias de nuances; no início todos pensavam que assessores orientavam as tuitadas, mas foi confirmado que o próprio Trump nunca resistiu em transformar o seu smartphone num diário pessoal, e parece, ainda hoje, acessá-lo assim que acorda, despejando ali, quase diariamente, uma verdadeira logorreia, encontrando muitas coisas a dizer sobre uma série de assuntos; quando não encontra, sempre repete o bordão: "Make America Great Again”.

Roland Barthes, em famoso ensaio de 1968, chegou a comparar o discurso que elimina o referente ao discurso esquizofrênico. Na época de Barthes, a internet sequer existia, mas, analisando a fala de Trump, certamente ele teria mais argumentos para insistir na comparação ou, ao menos, nos lançaria alguma piscadela do seu túmulo. O único elemento recorrente que o auditório de Trump sempre encontrará, seja qual for o assunto abordado pelo presidente americano, seja qual for o contexto e o pretexto da intervenção, será… ele mesmo. Em resumo: ele é o seu próprio referente. Em outras palavras, a única realidade é aquela que sai da sua boca e quem quer que diga o contrário está mentindo, especialmente a mídia, que ele corporifica particularmente no New York Times, no Washington Post e CNN.

Trump e os funcionários de seu governo vivem em um mundo no qual é suficiente nomear a realidade para que ela tome forma: “Parece que foram os democratas que decidiram separar as crianças de seus pais refugiados clandestinos”; “Parece que a pandemia já está no final”. É um tipo de pensamento mágico, que gira em loop retornando sempre à convicção de que se pode realizar algo desejando-o com toda força – e permite reformular a realidade – porque ele só confia em si mesmo para tomar suas decisões. Qualquer informação factual é tratada como ameaça. Bérengère observa ainda que tal recusa em aprender anula completamente os mecanismos da empatia, já que esses são acionados a partir da experiência de outras pessoas.

A autora ainda se concentra em compreender o público que compõe a base da recepção de Trump, real ou mitologicamente descrita como “a América simples e humilde, das fábricas que fecharam, que trabalha e tem seus empregos surrupiados por chineses, latinos, índios ou mexicanos e nada tem a ver com os intelectuais da Costa Leste, que do alto dos seus diplomas querem dar lições de moral, degustando tofu orgânico sem glúten”. O matraquear incessante da “realidade alternativa” de Trump faz com que as notícias falsas viralizem nestes segmentos de público, numa espiral orwelliana. Mas o que promove tudo isso são pessoas de verdade que compartilham ou retuitam por impulsos ou sentimentos reais: carência afetiva (replicam falsidades atraentes para ficarem “populares” em seus círculos digitais); ódio (repassam aquilo que sabem que é fraude informativa, mas, acreditam que destruirá a reputação de alguém que repudiam) ressentimento, inveja, etc.

Trump bem humorado? Não falta humor na sua língua, sobretudo para alguém oriundo dos shows televisivos. As piadas de Trump são fáceis de entender e de traduzir: elas têm a sutileza de um elefante em loja de porcelanas e, quando há subentendidos, são tão claros que não é necessário pensar demais para compreendê-los. Nas conhecidas escalas do riso e do humor formuladas por estudiosos como Rod Martin ou James Agee, Trump é um mestre hiperbólico da ‘Schadenfreude’, pois seu objetivo é deliberadamente magoar os outros para ser engraçado. Nem é preciso acrescentar que tal humor é típico de pessoas que demonstram comportamento antissocial, impulsividade, egocentrismo e falta de remorso. Como já mostraram outros autores, como Peter Osborne e Tom Roberts, Bérengere mostra que Trump nunca ri. Em toda a sua pesquisa ela encontrou apenas uma ocorrência pública de risos presidenciais. E foi durante um comício de campanha: um cachorro começou a latir e um espectador exclamou "É Hillary!". Então, e foi só neste momento, único, num período de quatro anos, que Trump deu uma gargalhada espontânea – que é aquele riso libertador, desopilante, humano e sublime. Muito significativo. Talvez mais do que todo o resto.

Por: Elias Thomé Saliba*, Especial para o Estado

Foto: AFP / YAMIL LAGE

Cuba testará no Irã sua vacina mais avançada contra a Covid-19

Cuba, que espera imunizar toda a sua população neste ano com sua própria vacina contra a Covid-19, testará no Irã a 'Soberana 02', seu projeto de vacina mais avançado, anunciou neste sábado (9) o centro científico que desenvolveu o imunizante.
O estatal Instituto Finlay de Vacinas (IFV) e o Instituto Pasteur do Irã assinaram um acordo em Havana que permitirá "completar as evidências clínicas da vacina candidata Soberana 02" e "avançar mais rápido na imunização contra a covid-19 em ambos os países", anunciou o centro científico cubano em sua conta no Twitter.

A assinatura do acordo coincidiu com um tuíte do guia supremo iraniano, Ali Khamenei, no qual considerava impossível confiar nas vacinas americanas e britânicas.

“É proibido importar vacinas feitas nos Estados Unidos ou no Reino Unido. Não podemos confiar neles”, alertou Khamenei em mensagem que foi posteriormente suprimida pelo Twitter, considerando que violou suas regras.

A Soberana 02 é o mais avançado dos projetos de vacina contra o coronavírus em que os cientistas do IFV trabalham, superando a Soberana 01.

Ambos são confiáveis em termos de segurança e resposta imunitária, mas "a Soberana 02 especificamente, pelas suas características, tem apresentado uma resposta imunitária precoce (aos 14 dias)", explicou em Dezembro o diretor do IFV, Vicente Vérez, ao anunciar o início da fase 2 do ensaio clínico.

Vérez destacou que negociações para desenvolver a fase 3 do ensaio clínico da Soberana 02 em outros países avançaram, devido à baixa prevalência de covid-19 na população cubana, e anunciou que Cuba estaria em condições de imunizar toda sua população com sua própria vacina no primeiro semestre de 2021.

O Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia também trabalha em duas outras vacinas candidatas contra o coronavírus, batizadas de 'Mambisa' e 'Abdala'.

Cientistas cubanos têm experiência na obtenção e fabricação de vacinas. O programa nacional de vacinação infantil conta com 11 vacinas contra 13 doenças, das quais oito são fabricadas na ilha.

Embora enfrente atualmente um surto de casos com a abertura de fronteiras, Cuba, com 11,2 milhões de habitantes, mantém a pandemia sob controle com 14.188 casos, 148 mortes e 11.682 recuperados, cifras inferiores às de seus vizinhos na região.

Por: AFP / Por: Diário de Pernambuco


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Foto: Hannah McKay - 24.nov.2020 / Reuters

Após confirmação do Congresso, Trump diz que fará transição organizada a Biden

Após a confirmação formal da vitória de Joe Biden no Colégio Eleitoral, o presidente Trump disse que a decisão "representa o fim do maior primeiro mandato da história presidencial".

"Embora eu discorde totalmente com o resultado da eleição e os fatos me confirmem, haverá uma transição organizada em 20 de janeiro", disse Trump em um comunicado.

"Eu sempre disse que continuaríamos nossa luta para garantir que apenas os votos legais fossem contados. Embora isso represente o fim do maior primeiro mandato da história presidencial, é apenas o começo de nossa luta para tornar a América Grande Novamente", disse Trump.

Por: CNN


Foto: Reuters

Ao menos quatro pessoas morrem e 52 são presas durante invasão ao Capitólio

Número de mortos durante ataque ao Capitólio sobe para quatro

Quatro pessoas morreram e 52 foram presas nesta quarta-feira, 6, após a invasão ao Capitólio dos Estados Unidos. Uma mulher foi morta a tiros pela polícia e três outras pessoas morreram em emergências médicas, segundo as autoridades locais.

De acordo com a CNN, o chefe da polícia de Washington, Robert Contee, não especificou se as três pessoas atendidas pela emergência estavam envolvidas diretamente nos atos violentos. 

Durante o dia, os serviços de Bombeiros e Emergências Médicas locais transportaram para hospitais próximos pessoas com ferimentos que variavam de parada cardíaca a múltiplas fraturas após queda, disse a CNN.

Contee disse ainda que 47 das 52 prisões até o momento estavam relacionadas a violações do toque de recolher imposto pela prefeita Muriel Bowser. Várias outras pessoas foram presas por acusações relacionadas ao porte de armas de fogo proibidas ou não licenciadas.

Duas bombas foram recuperadas da sede dos comitês nacionais republicano e democrata, bem como um refrigerador de um veículo no Capitólio dos EUA que continha coquetéis molotov.

Por: O Estadão