O acontece no dia-a-dia na Política no Brasil e no Mundo



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Foto: Dida Sampaio/Estadão

Em live, Bolsonaro ignora vitória de Biden e diz que não sabe se tentará reeleição

BRASÍLIA - Horas após a projeção de vitória do democrata Joe Biden, anunciado como presidente eleito dos Estados Unidos pela imprensa do país, que consolida o resultado da votação, o presidente Jair Bolsonaro fez uma live surpresa nas redes sociais e não fez qualquer menção à eleição norte-americana, Biden ou ao presidente Donald Trump, que tentava a reeleição.

Ao lado da candidata ao Senado na eleição suplementar no Mato Grosso, capitã Fernanda, Bolsonaro falou por 30 minutos. Além de ignorar Biden, disse que ainda não decidiu se vai tentar a reeleição em 2022. O presidente, no entanto, fez um apelo a seus apoiadores para que não desperdicem o voto nas eleições para prefeito e vereador, marcadas para 15 de novembro, e lamentou que a América do Sul esteja sendo "pintada de vermelho".

Neste domingo, Luis Arce, apoiado pelo ex-presidente Evo Morales, toma posse como presidente da Bolívia. Em dezembro do ano passado, Alberto Fernández se tornou presidente da Argentina, tendo como vice Cristina Kirchner.

"É um apelo que eu faço a vocês. Votem. O pior voto é aquele que é neutro, que é nulo, que é branco, faz uma gracinha e não quer votar em ninguém. 

O voto é muito importante. E vocês estão vendo as questões no mundo, como está a política no mundo. Cada um tem sua opinião, vocês têm que discutir. Tem que ver a América do Sul, vários países estão sendo pintados novamente de vermelho", disse Bolsonaro.

Como o Estadão/Broadcast mostrou, a interlocutores, o presidente sinalizou que vai aguardar um "quadro concreto" sobre a eleição norte-americana antes de se pronunciar sobre o resultado. 

A tendência, até este momento, é esperar o fim de processos judiciais movidos por Trump, que não aceita a derrota e contesta o resultado alegando, sem provas, que há fraude no processo judicial. 

Como presidente, Bolsonaro disse que não pode "mudar o destino do Brasil" de acordo com o que considera que precisa ser mudado. 

"Não quer dizer que eu seja candidato a reeleição. Não sei se vou ser candidato a reeleição, está muito longe ainda 2022", afirmou. Na transmissão ao vivo, porém, o presidente aproveitou para pedir votos a políticos alinhados a ele, e anunciou que fará, a partir de segunda-feira, 9, uma live diária, às 19h, para divulgar candidatos que apoia - o que ele chamou de seu "horário eleitoral gratuito". 

"Precisamos, sim, de prefeitos afinados com aquilo que você pensa, com vereadores e, no caso, uma senadora do Mato Grosso também", disse, em referência à capitã Fernanda. "São essas pessoas que dão força para que essas políticas sejam levadas avante no futuro", disse Na live, 

Bolsonaro declarou apoio à candidata delegada Patrícia (Podemos) na corrida pela prefeitura do Recife. Na capital pernambucana, dois candidatos da esquerda lideram. 

Segundo a mais recente pesquisa Datafolha, o deputado federal João Campos, do PSB, tem 31% das intenções de voto, e Marília Arraes, do PT, 21%. Delegada Patrícia aparece com 14%, em quarto lugar, atrás do ex-ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM), com 16%. 

Com o apoio à delegada Patrícia, Bolsonaro passou a referendar a candidatura para prefeito em oito cidades. Em São Paulo, está fechado com Celso Russomanno, e no Rio, com Marcelo Crivella, ambos do Republicanos. 

O presidente ainda tem candidatos em Manaus, Belo Horizonte, Fortaleza e Santos. O chefe do Executivo também já pediu votos para dez candidatos a vereador, entre os quais seu filho Carlos Bolsonaro (Republicanos), que tenta mais uma reeleição no Rio, e para sua ex-asssessora Walderice Santos da Conceição, a Wal do Açaí. 

Ela concorre ao cargo ao legislativo municipal em Angra dos Reis com o nome de Wal Bolsonaro, e trabalhava vendendo açaí na cidade quando era nomeada no gabinete do então deputado federal. 

Durante a transmissão, Bolsonaro voltou a dizer a seus seguidores que não votem em candidatos que defenderam o isolamento social como medida para evitar o contágio na pandemia do coronavírus. 

“Se tiver segunda onda de coronavírus, prefeitos serão importantíssimos”, disse. “Se fez barbaridade, não reeleja”, complementou. 

A estreia do “horário eleitoral gratuito” promovido por Bolsonaro ocorreu na última quinta-feira, 5, em sua live semanal. Durante 22 minutos, ele pediu votos para afilhados políticos. O vídeo teve mais de 600 mil visualizações. 

Na avaliação de especialistas consultados pelo Estadão/Broadcast, ao utilizar seus canais oficiais e a estrutura do governo para fazer propaganda, Bolsonaro infringe a legislação. No limite, isso pode resultar na cassação dos candidatos que forem beneficiados.

Por: Estadão

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Foto: Reprodução

O Trump tupiniquim

Com derrota externa e interna, Bolsonaro está abatido, isolado e sem referências

É estarrecedor que o presidente dos Estados Unidos acuse adversários e o próprio sistema eleitoral de fraude e corrupção, atiçando seus apoiadores para uma guerra campal e achincalhando a maior democracia do planeta. Mas Donald Trump é Donald Trump, sai da Casa Branca como entrou e leva o raro troféu de presidente que perde a reeleição, pensando sempre nele, só nele.

Biden prega união nacional, Trump mente, agride e é cortado do ar pelas três maiores redes de TV dos EUA, aprofundando a polarização do País e a divisão no Partido Republicano, que começou quando ele impôs sua candidatura no grito. Cara a cara com a derrota, ele expõe desespero e atrai críticas dos próprios republicanos e parte da direita americana que não é belicosa, mentirosa, autoritária e ignorante. Mas ele tem mais de 70 milhões de votos...

No Brasil, o voto é obrigatório com o sistema de um cidadão, um voto, seja ele banqueiro ou pedreiro. Nos EUA, é opcional e o candidato com mais voto popular pode perder a eleição no colégio eleitoral, como os democratas Al Gore e Hillary Clinton. Se o candidato republicano tem 51% em Iowa, todos os votos do Estado vão para o republicano. Se você votou no democrata, seu voto vai para o lixo.

Quanto à votação, o Brasil tem coordenação nacional e regras do TSE e, desde 1996, a urna eletrônica, segura, fácil, rápida, que permite o anúncio do novo presidente no dia do pleito. Já nos EUA cada estado tem suas regras e as cédulas são de papel, do século passado. A apuração é manual, voto a voto, envolve milhões de pessoas, gera incertezas, disputas judiciais e o resultado pode demorar semanas.

Bolsonaro, porém, insiste na volta da cédula impressa, depois de criar uma figura inédita no mundo: a do eleito que denuncia fraude na própria eleição – sem prova nenhuma, aliás, como o Trump real nos EUA. E as semelhanças não param aí. Trump se nega a coordenar a reação nacional à pandemia, diz que é só uma gripe, desdenha de máscaras e isolamento social e fez propaganda da cloroquina. Você já viu esse filme aqui? Mas isso não é brincadeira, é brincar com a vida.

Trump lá e Bolsonaro cá vivem numa realidade paralela, como velhos populistas convencidos de que podem falar e fazer qualquer coisa, espancar a China, aliar-se ao que há de pior e promover retrocessos em gênero, direitos humanos e meio ambiente na ONU. Bolsonaro só não saiu do Acordo de Paris, como fez Trump no dia da eleição, por falta de condições políticas.

Há, porém, diferenças entre o “mito” Bolsonaro e o “Deus” Trump, que não rasga dinheiro e manteve o slogan “America First” com o Brasil. Ganhou todas, inclusive ao derrubar um brasileiro em favor de um americano no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e ao impor cotas de aço, alumínio e etanol para o Brasil. Logo, usou os produtores brasileiros para comprar votos desses setores nos EUA.

Apesar da ridícula convocação de manifestações pró Trump em cidades brasileiras, até o mercado financeiro avalia como positiva a vitória de Joe Biden, que defende princípios, não é dado a maluquices e vai manter o decantado pragmatismo da política externa americana. Os dois presidentes podem se bicar, mas Brasil e EUA manterão acordos comerciais, programas de cooperação e a negociação em prol dos interesses de cada um. E quem discorda da pressão em defesa da Amazônia?

A troca de Trump por Biden é saudável para o mundo, os EUA e o Brasil, mas Bolsonaro tem razão em estar abatido. Ele perde o único grande parceiro internacional e seus candidatos às eleições municipais afundam como Trump. Com derrota externa e interna e a obsessão por 2022, será cada vez mais engolido pelo Centrão, quicando de um palanque a outro e falando besteira.

*COMENTARISTA DA RÁDIO ELDORADO, DA RÁDIO JORNAL E DO TELEJORNAL GLOBONEWS EM PAUTA

Por: Estadão

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Foto: Governo de SP

Ao lado de Doria, Maia oferece apoio à Coronavac e defende diálogo com Bolsonaro

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), compareceu nesta sexta-feira (23) a uma coletiva ao lado do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), no Palácio dos Bandeirantes, em que ofereceu apoio da Casa à vacina Coronavac, desenvolvida pela chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. Ele também defendeu diálogo com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para "construir uma solução" favorável ao imunizante e a qualquer outra vacina contra o novo coronavírus.

O gesto vem após um impasse entre os governos federal e de São Paulo e federal em torno da assinatura de um acordo de intenção de compra da vacina quando esta estiver disponível — Bolsonaro afirmou que o governo federal não comprará o imunizante.

"Tenho certeza que com os testes da vacina do Instituto Butantan, quando estiver aprovada e autorizada pela Anvisa, que a gente consiguirá com diálogo com o presidente da República, com o ministro da Saúde, com o Congresso, autorizar não apenas essa vacina para os brasileiros, mas todas que forem aprovadas", disse Maia.

"A vacina é fundamental. O senhor pode contar com a Câmara para que a gente possa, com diálogo com o governo – temos duas MPs que precisam ser votadas –, restabelecer o bom diálogo", prosseguiu o presidente da Câmara, dirigindo-se a Doria.

Confiança na Anvisa

Falando antes de Maia, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse ter certeza que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) manterá sua autonomia e independência ao avaliar as informações para ao registro da Coronavac fornecidos pelo governo paulista. 

"O corpo técnico e o presidente da Anvisa afirmaram a mim, a dois parlamentares da Câmara Federal, a dois parlamentares do Senado Federal, a secretários de estado de São Paulo e ao Dimas Covas, que a Anvisa não vai se submeter a nenhum tipo de pressão ou orientação do Palácio do Planalto, ou qualquer tipo de pressão de ordem ideológica, política, partidária ou eleitoral", afirmou Doria.

O governador defendeu o papel das agências reguladoras independentes em governos liberais para "regular o mercado e a defender o cidadão".  "No momento em que tivermos uma agência de vigilância sanitária rompendo seu compromisso com a ciência, a vida e sua independência, isso pode representar o caos para um país vivendo uma pandemia, como o Brasil", disse.

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou que recebeu uma sinalização de que em até cinco dias úteis a Anvisa emitirá o certificado para a importação da matéria-prima para a produção da vacina. Na quinta, Covas relatou que a agência estava atrasando esta autorização.

Entenda

Na segunda-feira (19), por meio de um ofício enviado pelo ministro Eduardo Pazuello a Dimas Covas, diretor-geral do Instituto Butantan, o Ministério da Saúde havia formalizado sua intenção de comprar 46 milhões de doses da vacina Coronavac. 

Na terça-feira (20), após reunião com governadores, o ministério definiu a compra das doses da Coronavac. 

A decisão foi anunciada depois que técnicos do Butantan viajaram a Brasília para apresentar ao ministério informações sobre o imunizante. 

Na manhã de quarta-feira (21), o presidente Bolsonaro afirmou a apoiadores, em comentários em sua conta no Facebook, que não compraria a vacina.

Por: CNN

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Foto: Reprodução

'Não satisfeito em destruir o ambiente, resolveu destruir o governo', diz Maia sobre Salles

"O ministro Ricardo Salles, não satisfeito em destruir o meio ambiente do Brasil, agora resolveu destruir o próprio governo", escreveu o deputado em uma rede social.

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) — O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), entrou neste sábado (24) na briga pública do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, com o ministro da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, escalando a nova crise do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

"O ministro Ricardo Salles, não satisfeito em destruir o meio ambiente do Brasil, agora resolveu destruir o próprio governo", escreveu o deputado em uma rede social. 

Em contraposição à base ideológica do governo no Congresso, Maia, bem como integrantes do centrão, são aliados de Ramos no confronto contra o núcleo ideológico do governo. Parlamentares que integram o grupo também foram a público.

"O Progressistas manifesta total apoio ao trabalho do ministro-chefe da secretaria de Governo da Presidência da República, Luiz Eduardo Ramos. Sua atuação tem sido fundamental na construção e estabilidade de uma base sólida no Congresso Nacional", disse o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente da legenda.

"Ministro Ramos tem dialogado com a Câmara de forma cordial, respeitosa e buscando construir convergências que ajudem o Governo e o Brasil. O governo não pode se perder em baixarias. 

Toda atenção deve ser dada a superação da crise econômica, social e sanitária decorrente do corona", escreveu horas antes o deputado Marcelo Ramos (PL-AM). Pelo outro lado, a deputada Bia Kicis (PSL-DF), por exemplo, fez foto com Salles ainda na sexta-feira (23) com a legenda "dia de foto com o querido Ricardo Salles". 

Congressistas da base ideológica dizem que falta a Ramos jogo de cintura por ele ser militar. Eles também reclamam que o ministro da articulação política os trata bem, mas, em questões práticas, como a liberação de dinheiro das emendas parlamentares, prioriza os pleitos do centrão. 

O estopim para a crise entre Salles e Ramos foi uma nota no jornal O Globo que afirmava que o ministro estava esticando a corda com a ala militar do governo em decorrência do episódio envolvendo a falta de recursos no Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) – Salles disse que, sem dinheiro, brigadistas interromperiam atividades de combate a incêndios e queimadas. 

As críticas de Salles a Ramos são amparadas pelos filhos de Jair Bolsonaro e fazem parte de estratégia do núcleo ideológico para convencer o presidente a trocar o responsável pela articulação política do governo, como mostrou a Folha na sexta-feira. 

A pressão, que ocorre nos bastidores desde agosto, mas agora veio a público com a manifestação de Salles nas redes sociais. Ele citou nominalmente Ramos e pediu ao militar para parar com uma postura de "maria fofoca".

A decisão de Salles de tornar público o embate, segundo assessores palacianos, busca tentar acelerar o desgaste de Ramos para que seja possível convencer Bolsonaro a incluir o general na minirreforma ministerial programada para fevereiro.

A ideia é repetir a fritura realizada no ano passado com o general Carlos dos Santos Cruz, que também comandava a Secretaria de Governo e foi criticado pelo núcleo ideológico por sua postura moderada. 

Bolsonaro foi influenciado a substituí-lo no posto. O grupo que defende a substituição de Ramos conta com o respaldo do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). 

Para reforçar o apoio a Salles, o filho 03 do presidente postou mensagem desejando "força" ao ministro. "O Brasil está contigo e apoiando seu trabalho", escreveu. A troca de Ramos também tem respaldo do secretário da Pesca, Jorge Seif, e do escritor Olavo de Carvalho, considerado o guru da família presidencial. 

Até o momento, Bolsonaro não deu sinais de que pretende sacar Ramos do cargo. O general conta com a confiança do presidente. Nesta sexta, Bolsonaro fez acenos aos dois ministros. 

Chegou com Ramos em seu carro à Base Aérea de Brasília para a cerimônia de apresentação do Gripen, caça da FAB (Força Aérea Brasileira), que fez seu voo inaugural. 

Salles estava na plateia, junto com outros auxiliares presidenciais. Em determinado momento, os dois ministros ficaram próximos a Bolsonaro, que deu um abraço em Salles. Ramos apenas observou. 

O vice-presidente Hamilton Mourão foi questionado por repórteres nesta sexta sobre as divergências entre os ministros. "Isso não passa por mim, os ministros são do presidente e eu não me meto nessa guerra", afirmou.

Caso Bolsonaro seja convencido a fazer uma mudança até fevereiro, assessores presidenciais apontam que o nome favorito para desempenhar a função é o do ministro das Comunicações, Fábio Faria.

Em conversas com aliados, porém, Faria tem dito que não pretende assumir o posto e que apoia a manutenção de Ramos. 

Nos bastidores, Faria já desempenha informalmente o papel de articulador, fazendo a ponte entre Executivo e Legislativo. 

A disputa entre militares e ideológicos era frequente no início da atual gestão, mas passou por um arrefecimento neste ano, após o presidente ter fortalecido a cúpula fardada, entregando a ela todos os cargos ministeriais do Palácio do Planalto. 

Ramos tem se mantido em silêncio, mas comemorou a reação do grupo que o apoia. Em uma rede social, publicou fotos em que aparece ao lado de Bolsonaro num evento militar na sexta-feira. "Presidente Bolsonaro prestigiando, como sempre, suas Forças Armadas!", escreveu.

Por: FolhaPress - Por: ClickPB