O acontece no dia-a-dia na Política no Brasil e no Mundo



Imagem 32

Foto: Governo de SP

Ao lado de Doria, Maia oferece apoio à Coronavac e defende diálogo com Bolsonaro

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), compareceu nesta sexta-feira (23) a uma coletiva ao lado do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), no Palácio dos Bandeirantes, em que ofereceu apoio da Casa à vacina Coronavac, desenvolvida pela chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. Ele também defendeu diálogo com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para "construir uma solução" favorável ao imunizante e a qualquer outra vacina contra o novo coronavírus.

O gesto vem após um impasse entre os governos federal e de São Paulo e federal em torno da assinatura de um acordo de intenção de compra da vacina quando esta estiver disponível — Bolsonaro afirmou que o governo federal não comprará o imunizante.

"Tenho certeza que com os testes da vacina do Instituto Butantan, quando estiver aprovada e autorizada pela Anvisa, que a gente consiguirá com diálogo com o presidente da República, com o ministro da Saúde, com o Congresso, autorizar não apenas essa vacina para os brasileiros, mas todas que forem aprovadas", disse Maia.

"A vacina é fundamental. O senhor pode contar com a Câmara para que a gente possa, com diálogo com o governo – temos duas MPs que precisam ser votadas –, restabelecer o bom diálogo", prosseguiu o presidente da Câmara, dirigindo-se a Doria.

Confiança na Anvisa

Falando antes de Maia, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse ter certeza que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) manterá sua autonomia e independência ao avaliar as informações para ao registro da Coronavac fornecidos pelo governo paulista. 

"O corpo técnico e o presidente da Anvisa afirmaram a mim, a dois parlamentares da Câmara Federal, a dois parlamentares do Senado Federal, a secretários de estado de São Paulo e ao Dimas Covas, que a Anvisa não vai se submeter a nenhum tipo de pressão ou orientação do Palácio do Planalto, ou qualquer tipo de pressão de ordem ideológica, política, partidária ou eleitoral", afirmou Doria.

O governador defendeu o papel das agências reguladoras independentes em governos liberais para "regular o mercado e a defender o cidadão".  "No momento em que tivermos uma agência de vigilância sanitária rompendo seu compromisso com a ciência, a vida e sua independência, isso pode representar o caos para um país vivendo uma pandemia, como o Brasil", disse.

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou que recebeu uma sinalização de que em até cinco dias úteis a Anvisa emitirá o certificado para a importação da matéria-prima para a produção da vacina. Na quinta, Covas relatou que a agência estava atrasando esta autorização.

Entenda

Na segunda-feira (19), por meio de um ofício enviado pelo ministro Eduardo Pazuello a Dimas Covas, diretor-geral do Instituto Butantan, o Ministério da Saúde havia formalizado sua intenção de comprar 46 milhões de doses da vacina Coronavac. 

Na terça-feira (20), após reunião com governadores, o ministério definiu a compra das doses da Coronavac. 

A decisão foi anunciada depois que técnicos do Butantan viajaram a Brasília para apresentar ao ministério informações sobre o imunizante. 

Na manhã de quarta-feira (21), o presidente Bolsonaro afirmou a apoiadores, em comentários em sua conta no Facebook, que não compraria a vacina.

Por: CNN

Imagem 204

Foto: Reprodução

'Não satisfeito em destruir o ambiente, resolveu destruir o governo', diz Maia sobre Salles

"O ministro Ricardo Salles, não satisfeito em destruir o meio ambiente do Brasil, agora resolveu destruir o próprio governo", escreveu o deputado em uma rede social.

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) — O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), entrou neste sábado (24) na briga pública do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, com o ministro da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, escalando a nova crise do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

"O ministro Ricardo Salles, não satisfeito em destruir o meio ambiente do Brasil, agora resolveu destruir o próprio governo", escreveu o deputado em uma rede social. 

Em contraposição à base ideológica do governo no Congresso, Maia, bem como integrantes do centrão, são aliados de Ramos no confronto contra o núcleo ideológico do governo. Parlamentares que integram o grupo também foram a público.

"O Progressistas manifesta total apoio ao trabalho do ministro-chefe da secretaria de Governo da Presidência da República, Luiz Eduardo Ramos. Sua atuação tem sido fundamental na construção e estabilidade de uma base sólida no Congresso Nacional", disse o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente da legenda.

"Ministro Ramos tem dialogado com a Câmara de forma cordial, respeitosa e buscando construir convergências que ajudem o Governo e o Brasil. O governo não pode se perder em baixarias. 

Toda atenção deve ser dada a superação da crise econômica, social e sanitária decorrente do corona", escreveu horas antes o deputado Marcelo Ramos (PL-AM). Pelo outro lado, a deputada Bia Kicis (PSL-DF), por exemplo, fez foto com Salles ainda na sexta-feira (23) com a legenda "dia de foto com o querido Ricardo Salles". 

Congressistas da base ideológica dizem que falta a Ramos jogo de cintura por ele ser militar. Eles também reclamam que o ministro da articulação política os trata bem, mas, em questões práticas, como a liberação de dinheiro das emendas parlamentares, prioriza os pleitos do centrão. 

O estopim para a crise entre Salles e Ramos foi uma nota no jornal O Globo que afirmava que o ministro estava esticando a corda com a ala militar do governo em decorrência do episódio envolvendo a falta de recursos no Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) – Salles disse que, sem dinheiro, brigadistas interromperiam atividades de combate a incêndios e queimadas. 

As críticas de Salles a Ramos são amparadas pelos filhos de Jair Bolsonaro e fazem parte de estratégia do núcleo ideológico para convencer o presidente a trocar o responsável pela articulação política do governo, como mostrou a Folha na sexta-feira. 

A pressão, que ocorre nos bastidores desde agosto, mas agora veio a público com a manifestação de Salles nas redes sociais. Ele citou nominalmente Ramos e pediu ao militar para parar com uma postura de "maria fofoca".

A decisão de Salles de tornar público o embate, segundo assessores palacianos, busca tentar acelerar o desgaste de Ramos para que seja possível convencer Bolsonaro a incluir o general na minirreforma ministerial programada para fevereiro.

A ideia é repetir a fritura realizada no ano passado com o general Carlos dos Santos Cruz, que também comandava a Secretaria de Governo e foi criticado pelo núcleo ideológico por sua postura moderada. 

Bolsonaro foi influenciado a substituí-lo no posto. O grupo que defende a substituição de Ramos conta com o respaldo do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). 

Para reforçar o apoio a Salles, o filho 03 do presidente postou mensagem desejando "força" ao ministro. "O Brasil está contigo e apoiando seu trabalho", escreveu. A troca de Ramos também tem respaldo do secretário da Pesca, Jorge Seif, e do escritor Olavo de Carvalho, considerado o guru da família presidencial. 

Até o momento, Bolsonaro não deu sinais de que pretende sacar Ramos do cargo. O general conta com a confiança do presidente. Nesta sexta, Bolsonaro fez acenos aos dois ministros. 

Chegou com Ramos em seu carro à Base Aérea de Brasília para a cerimônia de apresentação do Gripen, caça da FAB (Força Aérea Brasileira), que fez seu voo inaugural. 

Salles estava na plateia, junto com outros auxiliares presidenciais. Em determinado momento, os dois ministros ficaram próximos a Bolsonaro, que deu um abraço em Salles. Ramos apenas observou. 

O vice-presidente Hamilton Mourão foi questionado por repórteres nesta sexta sobre as divergências entre os ministros. "Isso não passa por mim, os ministros são do presidente e eu não me meto nessa guerra", afirmou.

Caso Bolsonaro seja convencido a fazer uma mudança até fevereiro, assessores presidenciais apontam que o nome favorito para desempenhar a função é o do ministro das Comunicações, Fábio Faria.

Em conversas com aliados, porém, Faria tem dito que não pretende assumir o posto e que apoia a manutenção de Ramos. 

Nos bastidores, Faria já desempenha informalmente o papel de articulador, fazendo a ponte entre Executivo e Legislativo. 

A disputa entre militares e ideológicos era frequente no início da atual gestão, mas passou por um arrefecimento neste ano, após o presidente ter fortalecido a cúpula fardada, entregando a ela todos os cargos ministeriais do Palácio do Planalto. 

Ramos tem se mantido em silêncio, mas comemorou a reação do grupo que o apoia. Em uma rede social, publicou fotos em que aparece ao lado de Bolsonaro num evento militar na sexta-feira. "Presidente Bolsonaro prestigiando, como sempre, suas Forças Armadas!", escreveu.

Por: FolhaPress - Por: ClickPB